Como lavar roupa na Índia?

Lava roupa todo dia que agonia… haha da série morando sozinha na Índia!

Usar roupas incríveis todo mundo ama, mas vem a pior parte: lava-las. No Brasil, era só colocar na máquina que ela fazia tudo pra você,  já aqui é muito difícil você encontrar uma máquina de lavar nas casas. O jeito é água, sabão, balde e muita força manual.

Seduzindo na lavação de roupa hahah

Seduzindo na lavação de roupa hahah

Aqui na Índia lavamos as roupas nesses baldes no próprio chuveiro, por isso a torneira tem duas saídas de água, uma para banho e outra para lavar a roupa, o que facilita o processo manual haha. Nada de tanque para ajudar a esfregar a roupa, vai na mão mesmo igual minha vózinha fazia quando morava na fazenda.

Balde, água, sabão, e muita força manual haha

Balde, água, sabão, e muita força manual haha

Claro que já manchei várias roupas brancas, porque misturei com roupa colorida, mas vou fazer de conta que é o modelo, um tie dye tendência haha. Coisa de iniciante, logo pego o jeito e fico craque nisso haha.

Ontem o processo entre lavar, torcer e estender levou mais ou menos 1h30, o que me fez valorizar MUITO mais o trabalho das donas de casa e empregadas. Fica aqui o meus sinceros parabéns para todas as mulheres e homens que contribuem na manutenção do lar, porque olha não é fácil não haha.

Super beijo,

Fer Toyomoto.

 

Conexão Brasil – Israel

Hoje a entrevista é super especial com minha amiga judia Eden Mantel, 21 anos, nascida em Petah Tikva (Israel), que se mudou para o Brasil e hoje declara ser brasileira de coração. Ela vai nos contar um pouco sobre as diferenças culturais e sobre como é viver em meio ao conflito Israel – Palestina.

Bahai Gardens, em Haifa Arquivo: Eden Mantel

Bahai Gardens, Haifa Arquivo: Eden Mantel

Por quê você mudou para o Brasil?

Eden – Me mudei para o Brasil com os meus pais e meus dois irmãos em novembro de 2001, por conta do trabalho do meu pai. Na época, ele trabalhava em uma empresa brasileira e vivia em ponte aérea, passando bastante tempo longe da gente. A minha avó por parte de mãe já estava morando em Salvador, na Bahia há 10 anos, portanto decidimos ficar por lá.

Bahai Gardens, em Haifa Arquivo: Eden Mantel

Bahai Gardens, Haifa Arquivo: Eden Mantel

 Quais foram as principais diferenças sentidas por você na mudança?

Eden – A mudança foi bastante difícil para mim, principalmente, no quesito amizades e a língua, além do choque cultural. Saí de uma escola pública, onde havia uma grande diversidade de classe social (eu estudava na mesma sala do filho da nossa diarista). Enquanto em salvador estudei em uma escola particular e um tanto elitizada.

Lembro que os serviços terceirizados como diarista, motorista e caseiro me assustaram muito no início, e não só a mim, mas também aos meus pais, pois em Israel o serviço de diarista era o máximo de ajuda que tinhamos. Em israel eu vivia rodeada de amigos, desde a espera do ônibus escolar até a hora da janta. Morávamos em um bairro, onde tinham muitas crianças e também muita liberdade. Fomos criados praticamente juntos.

Cheguei em Salvador falando no máximo 10 palavras em português, lembro que duas delas eram laranja e mãe. Além da língua totalmente diferente, eu não tinha o relógio do ano, o tênis da moda ou o corte de cabelo da estação, requesitos importantes para uma menina da quarta série se enturmar. E assim, totalmente fora dos padrões, entrei em uma escola bilíngue, o que dificultava ainda mais, pois nem o inglês eu falava. Lembro de todo mundo me olhando como se eu fosse um E.T, tentando se comunicar comigo de algum jeito.

Park Timna, perto de Eilat Arquivo: Eden Mantel

Park Timna, perto de Eilat Arquivo: Eden Mantel

Como foi a adaptação aqui no Brasil?

Eden – A adaptação no Brasil não foi fácil. Demorou uns 2 anos para eu estar totalmente adaptada, enturmada e feliz com a mudança. Nesse tempo, muitos dias eu voltava da escola completamente desolada, querendo voltar para Israel. Mas aos poucos, fui entendendo os códigos do lugar e assim me adaptando, até virar uma brasileira “nata”.

Para você que é israelense como é viver no Brasil?

Eden – Atualmente, sinto que o Brasil é a minha casa, não só físicamente, mas também no coração. Hoje me identifico muito mais com os códigos brasileiros, a cultura e os costumes. Claro que sinto falta da família, da comida, do cheiro e de muitas outras particularidades de Israel, mas gosto muito de viver no Brasil. É onde eu me sinto pertencente.

Eden e sua mãe no Muro das Lamentações em Jerusalém Arquivo: Eden Mantel

Eden e sua mãe no Muro das Lamentações, Jerusalém Arquivo: Eden Mantel

Seus pais voltaram para Israel, como é viver no Brasil e ter seus pais morando lá?

Eden – Para mim está sendo tranquilo, claro que as vezes bate uma saudade mais forte, vontade de abraçar e beijar. Ainda mais em datas especiais ou festas religiosas, mas hoje com o skype, FaceTime e todas as novas tecnologias, a distância diminui. Poder vê-los quando eu quero é confortador.

Shuck Machnei Yehuda, Jerusalém Arquivo: Eden Mantel

Shuck Machnei Yehuda, Jerusalém Arquivo: Eden Mantel

Quais são as principais diferenças para você entre os dois países?

Eden – Acredito que a principal diferença seja a história. Israel e o seu povo passou por inúmeras ameaças e até hoje enfrenta diariamente o amedrontamento do amanhã. O país ainda não tem a paz existente no Brasil. As pessoas vivem em torno da proteção do seu país, começando pelo exército obrigatório tanto para homens quanto mulheres.

O conflito Israel – Palestina sempre foi assunto recorrente no mundo, como são as coisas hoje?

Eden – O país aprendeu a viver com esse conflito, que fortaleceu e uniu a sua população. Essa divergência entre Israel e a Palestina não influência no crescimento do país, que tem uma das maiores rendas per capita do mundo e um contínuo avanço tecnológico. A quantidade de atentados diminuiu expressivamente depois da construção do muro e da cerca nas fronteiras com Gaza e Cisjordânia.

Hoje a população se sente muito mais segura. É importante constatar, que hoje, aqui vivem muitos árabes israelenses que trabalham, estudam e prestam serviços, assim como qualquer outro cidadão israelense. A vida aqui continua normalmente, cada um seguindo a sua rotina, sem dar grande espaço para o conflito, que há muitos anos, faz parte do povo de Israel. Porém, o desejo da população ainda é chegar a uma solução final, para que possamos viver em paz com eles de uma vez por todas.

Praia de Eilat Arquivo: Eden  Mantel

Praia de Eilat Arquivo: Eden Mantel

Quais as principais diferenças entre os dois países?

Eden – As principais diferenças de costume são a educação escolar e a educação pessoal ou comportamental. O sistema escolar é exelente em Israel, oferecendo boa educação a todos os jovens, sem exeção. Porém, há uma carência muito grande de educação pessoal e boas maneiras. As pessoas tem dificuldade de olhar o outro com respeito, e assim, acabam sendo grosseiros e impulsivos. Além de serem extremamente transparentes, o que muitas vezes ofende.

Já no Brasil, acontece exatamente o contrário. O sistema de educação não funciona, as escolas públicas tem uma péssima estrutura e muitos jovens não frequentam a escola. Mas, por outro lado, os brasileiros são muitíssimos educados. O porfavor, obrigada, com licença e desculpa fazem parte da cultura do país, utilizados também por esses que não frequentam a escola. O respeito ao mais velho, ao freguês, aos pais, ao empregado e ao próximo em geral é muito presente no dia-a- dia. E é inexplicávelmente bonito para quem vê de fora.

O que você fez no Brasil que não faria em Israel e vice-versa?

Eden – Vivendo no Brasil, eu segui o caminho da maioria, quando me formei na escola, segui imediatamente para a universidade, diferente do que eu faria se eu morasse em Israel. Meninas que concluem o ensino médio, seguem para o exército e servem por dois anos. Logo depois, trabalham um tempo para juntar dinheiro e com essa quantia, viajam por alguns meses, antes de focar no que realmente querem seguir. A universidade só vem depois. Com certeza se eu não tivesse me mudado para o Brasil, teria saído do exército em torno de um ano atrás, a vida teria tomado um rumo totalmente diferente.

Mar morto, olha o sal na areia haha Arquivo: Eden Mantel

Mar morto, olha o sal na areia rsrs Arquivo: Eden Mantel

O que você mais gosta e mais detesta no Brasil e em Israel?

Eden – No Brasil, o que eu mais gosto é o jeito carinhoso e hospedeiro do povo e comida japonesa haha. O que mais detesto é a corrupção.

Em Israel, o que eu mais gosto é a união do povo e os infinitos tipos de queijos. O que mais detesto é o estresse das pessoas.

É mais caro viver no Brasil ou em Israel?

Eden – Caro é relativo, é mais caro viver em Israel. Transporte é mais caro, combustível é mais caro, moradia (comprar imóvel) e alimentação também, porém o salário mínimo do país gira em torno de R$ 3.500, sem contar com a infraestrutura do país, as estradas, os jardins, parques, e todos os serviços públicos funcionam como país de primeiro mundo. Já no Brasil, os fatores citados acima são de fato mais baratos, mas a qualidade de vida é bastante inferior.

E como todo país de primeiro mundo, os serviços são excepcionalmente mais caros. Manicures e diaristas, por exemplo, podem chegar a cobrar mais que o dobro do que se cobra no Brasil.

Eden e sua mãe e irmão em Shuck Hapishpishim, Tel Aviv Arquivo: Eden Mantel

Eden, sua mãe e irmão em Shuck Hapishpishim, Tel Aviv Arquivo: Eden Mantel

Você pensa em voltar para Israel?

Eden – Penso, e acho que sempre vou pensar, pois toda a minha família, tanto da parte de pai, quanto de mãe estão lá. Mesmo estando muito bem no Brasil, tenho um amor muito grande por Israel e acredito que essa possibilidade eu nunca descartarei.

Agora com 21 anos, terminei a faculdade, decidi voltar para Israel, pois minha familia está toda lá e quanto mais eu ficasse no Brasil, mais difícil seria tomar essa decisão. Preferi mudar agora que não estou estabelecida profissionalmente.

Hoje faz uma semana e meia que estou em Israel e estou muito feliz. Por enquanto ainda sinto que estou a passeio, acredito que vá demorar um pouco para eu me sentir em casa.

Park Timna, perto de Eilat Arquivo: Eden Mantel

Park Timna, perto de Eilat Arquivo: Eden Mantel

Qual dica você da para quem vai morar / viajar para Israel?

Eden – A minha dica é não deixar de passear na parte antiga de Jerusalém a tarde/noite, comer no “shuck” ou feira em português (lá é tradição), e se tiver a oportunidade, jantar no restaurante do centro Nalaga’at. Lá você é servido em total escuridão e os garçons são todos cegos, é uma experiência única e super emocionamente. Obs: tem que reservar com antecedência.

Qual o seu maior sonho de viajante?

Eden – Meu maior sonho de viajante é poder continuar viajando e conhecendo o mundo, acho que existem poucas coisas no mundo que acrescentam tanto ao ser humano quanto conhecer novos lugares e culturas.

Cada vez fico mais apaixonada pelo mundo e por lugares que nunca estive, acontece isso, também, com vocês?  Amei MUITO a entrevista Eden, obrigada ❤

Espero que tenham gostado! Sugestões, dicas, comentários, todos são bem-vindos!

Super beijo.

Fer Toyomoto.

Conexão Brasil – EUA

Quem nunca sonhou em morar nos Estados Unidos? O american dream é tão sedutor né?! O conexão Brasil de hoje é com a Vanessa Perozzi, 20 anos, que mora há dois anos nos EUA e conseguiu uma bolsa atleta para estudar na Universidade Garden City CC em Garden City.

Vanessa Perozzi

Vanessa Perozzi – jogadora de Volleyball nos EUA Foto: Arquivo Vanessa

Por que você foi morar nos EUA?

Vanessa – Fui morar lá porque ganhei uma bolsa atleta para jogar Volleyball em uma universidade. Ganhei a bolsa mandando vídeos para as universidades, muita gente contrata uma agência e eles cobram em torno de 10 mil reais, o que é um absurdo, você pode muito bem pesquisar as universidades e entrar em contato com o técnico você mesmo, sem pagar um centavo.

Como foi o processo para ir para os EUA?

Vanessa – Olha pelo que eu me lembro foi super tranquilo, como tinha a carta da universidade foi mega tranquilo o processo de tirar o visto.

Como foi o processo de adaptação?

Vanessa – Eu já conhecia a cultura, havia visitado algumas vezes antes, então foi até que tranquilo, pois logo que cheguei tive o meu time que me acolheu e até alguns brasileiros.

Qual foi o seu maior choque cultural?

Vanessa – Não me lembro de nada absurdo, porém a comida e o jeito desleixado deles me assustou um pouco.

É mais caro viver no Brasil ou nos EUA?

Vanessa- Com certeza no Brasil. Um exemplo seria as compras de mercado, eu fazia a compra para umas duas ou três semanas ou até para o mês todo e nunca deu mais de 100 dólares, comprando tudo: comida, higiene pessoal e produto de limpeza. Já no Brasil fui com minha mãe fazer uma simples compra, coisa de final de semana, e deu quase 200 reais.

Estados Unidos Foto: Arquivo Vanessa Perozzi

Estados Unidos Foto: Arquivo Vanessa Perozzi

Atualmente, qual é sua rotina lá?

Vanessa – Agora estou de férias, mas quando estava lá acordava as 4h30 para ir treinar. Lá pelas 9h tinha aula (aula em diversos horários) e de tarde umas 14h30 tinha mais treino.

Qual a maior diferença entre EUA e o Brasil?

Vanessa- Acho que no Brasil somos muito mais preocupados com nossa aparência e o que todos vão pensar do nosso cabelo, roupa entre outros. Lá ninguém da a mínima pra isso, é super comum você ver pessoas no mercado de pijama e pantufa. Ainda acho um absurdo, mas com o tempo você acostuma e acaba ficando mais desleixada também.

O que você mais gosta e mais detesta no Brasil e nos EUA?

Vanessa – Gosto muito dessa vida independente que se leva lá. Independente no sentido de tentar não depender muito dos americanos para carona, sair, fazer viagens e até mesmo estudar, pois eles mudam de ideia e planos muito em cima da hora, as vezes não é por mal, mas você acaba se prejudicando, só morando lá para entender o que estou falando. Detesto várias coisas haha, mas é por que eles se acham muito superiores ao resto do mundo. Acho que é por causa da área que eu morava que era bem caipira mesmo.  O que mais amo do Brasil são as pessoas e a simpatia brasileira, infelizmente detesto o fato do Brasil ser tão violento e perigoso.

Estados Unidos Foto: Arquivo Vanessa Perozzi

Estados Unidos Foto: Arquivo Vanessa Perozzi

Por quanto tempo pretende morar lá?

Vanessa – Talvez até acabar a faculdade, não pretendo mais que isso não, pois não combina comigo morar lá. Conheci pessoas maravilhosas e fiz grandes amizades, porém me imagino em outros lugares como Austrália, que é muito mais a minha cara do que os EUA.

Moraria de novo?

Vanessa – Talvez em 20 anos, mas se é meu sonho viver lá? Não.  Não sei. Talvez voltar pra Austrália ou algum lugar na Europa, queria morar um pouco em cada país haha.

Do que você sente mais falta?

Vanessa – Família. Sem dúvida meus pais e irmão.

Qual o seu maior sonho de viajante?

Vanessa – Não parar de viajar nunca, conseguir ir a todos os lugares que eu tiver condição e mesmo daqui anos e anos quero ainda poder conhecer novas culturas.

Qual dica você da para quem vai morar / viajar para os EUA?

Vanessa – Honestamente não acho que vá passar por muitas dificuldades, até mesmo pela quantidade de brasileiros que tem lá. Eu diria para tentar fazer tudo que puder sem depender dos americanos, tudo o mais independente que puder.

Vanessa, muito obrigada pela entrevista! ❤ O que eu achei mais legal disso tudo é que você buscou seus sonhos e correu atrás. Gosto muito dessa visão de não se preocupar com a aparência, as vezes damos mais valor para o exterior do que para o interior, o que não deveria acontecer. E quem disse que morar nos EUA é só um conto de fadas?

Beijos,

Fer Toyomoto.

 

 

Conexão Brasil – Rússia

Quem nunca ouviu falar que os russos bebem vodka como ninguém? Convidei minha amiga russa Alla Ryabova, 23 anos, para nos contar um pouco sobre seu país, mais especificamente Moscou, onde ela morava, e desmistificar esses estereótipos. A ideia de se mudar para o Brasil surgiu dois anos atrás, o motivo? Amor! ❤ O marido dela é brasileiro. Faz um ano que se mudaram para o Brasil e conta que aprendeu português com o marido e a família dele.

Yaroslavl - Rússia Foto: Arquivo Alla

Yaroslavl – Rússia Foto: Arquivo Alla

Você já conhecia a cultura brasileira?

Alla – Não, para mim o Brasil era um mistério, um país em um continente muito distante. Minha imagem do país e cultura foi construída nos estereótipos comuns: samba, praia e capoeira. Foi uma ignorância mesmo.

Como foi o processo de adaptação?

Alla – Na verdade, esse processo é um grande desafio para uma pessoa que muda sua vida tão radicalmente. Todo mundo me pergunta se foi difícil me acostumar com o clima, mas o clima foi um dos últimos problemas que eu tinha que resolver. A maior dificuldade foi a diferença cultural, eu tive que aceitar e ser muito flexível para me adaptar.

Centro comercial de Moscou  Foto: Arquivo Alla

Centro comercial de Moscou Foto: Arquivo Alla

Qual foi o seu maior choque cultural?

Alla – O maior choque cultural foi o sorriso constante nos rostos dos brasileiros (não estou generalizando, ok?). Eu pensava que todo mundo era meu amigo, que todo mundo era aberto e amigável. Também era bem difícil falar com todo mundo – porteiro, faxineira, vendedor, eu me sentia muito incomodada, mas agora até sinto falta disso quando viajo.

É mais caro viver no Brasil ou na Rússia?

Alla – Então, para responder essa pergunta seria mais fácil comparar São Paulo e Moscou, duas metrópoles grandes. Eu posso dizer, que o custo de vida é mais ou menos igual, tudo depende do lugar onde você vai, claro. Comida, em geral, é mais barato aqui. O transporte é mais barato em Moscou (lá um bilhete de metrô custa cerca de 35 rublos = R$ 2,25). Moradia em Moscou é absurdamente cara (para alugar e comprar), mas tem hostels que são muito bons e limpos. Mas em geral, por mês, você deve pagar quase igual ao Brasil. Mas, como já falei, sempre tem que pesquisar, procurar e se virar.

Yaroslavl hostel Good Luck Foto: Arquivo Alla

Yaroslavl hostel Good Luck Foto: Arquivo Alla

Qual a maior diferença entre Rússia e Brasil?

Alla – Na minha opinião, não existe muita diferença além do clima. Os dois países são grandes e tem problemas parecidos que demorarão para ser resolvidos. Eu vou chutar aqui e falar que a maior diferença é a posição geográfica.

Moscou Ktrylatskie Holmy Foto: arquivo Alla

Moscou Ktrylatskie Holmy Foto: Arquivo Alla

Inverno Moscou  (Gorky Park) Foto: Arquivo Alla

Inverno Moscou (Gorky Park) Foto: Arquivo Alla

O que você mais gosta e mais detesta no Brasil e na Rússia?

Alla – No Brasil eu gosto muito do sol quente que da muita alegria e das pessoas que são abertas, prontas para te ajudar. Eu não suporto a falta de disciplina que as vezes é justificada como “jeitinho brasileiro”. Ah, e transporte público hiper lotado, mas fazer o que, né?

Na Rússia é muito difícil de se acostumar com dias frios e pessoas sombrias. Você demora muito para fazer amizade. Mas a cidade mesmo é incrivelmente rica em sua cultura, costumes e construções lindas. Quando você entra no metrô, toda essa beleza te deixa sem palavras! Sinto muito falta disso.

Metrô de Moscou Foto: Arquivo Japa Viajante

Metrô de Moscou Foto: Arquivo Alla

Quais são suas expectativas para a copa? Vai torcer para o Brasil ou para a Rússia?

Alla – Para os dois, claro! Para mim já é um pais só. Não sou muito fã de futebol, mas já comprei camisas da Rússia e do Brasil para virar uma torcedora louca. Apesar de todos os problemas na preparação da Copa, ver as pessoas felizes, pulando, gritando, comendo pipoca, apoiando seus países é muito legal. É incrível sentir essa atmosfera por dentro.

Café Didu - Moscou Foto: Arquivo Alla

Café Didu – Moscou Foto: Arquivo Alla

Você viajou pela Europa por meio por meio do couchsurfing? Como funciona o programa? É seguro?

Alla – Foi inesquecível! Esse projeto me deu a oportunidade de conhecer pessoas incríveis e explorar uma grande parte da Europa sem gastar uma fortuna.

O couchsurfing é uma iniciativa muito bacana, que se formou na internet e virou uma comunidade enorme de milhões pessoas. É muito importante não confundir esse projeto com moradia de graça. Essa visita na casa dos outros te abre uma grande oportunidade de conhecer essas pessoas, suas culturas e hábitos.

Segurança, nesse caso, é totalmente responsabilidade sua. Claro, que sempre existe alguns perigos, mas você tem que se preparar para reagir, pegar sua mala e procurar o plano B de saída.

Moscou VDNKh Foto: Arquivo Alla

Moscou VDNKh Foto: Arquivo Alla

Como conheceu com o couchsurfing?

Alla – Foi minha amiga que me indicou esse projeto e eu fiquei muito ansiosa para conhecê-lo. Eu comecei a participação com papel do host – recebia pessoas na minha casa em Moscou. Eu gostei tanto, que decidi fazer uma viagem para Europa e foi um sucesso.

Tem alguma dica para quem vai viajar por meio do couchsurfing?

Alla – Abra suas fronteiras no modo de pensar e conquiste seus sonhos por meio desse projeto. Para se adaptar com toda essa filosofia, eu recomendo visitar alguns encontros semanais na sua cidade. Toda informação é acessível no site.

Yaroslavl Foto: Arquivo Alla

Yaroslavl Foto: Arquivo Alla

Qual o seu maior sonho de viajante?

Alla – Meu maior sonho é, primeiramente, conhecer todos os continentes. Eu também queria morar em outros países para ter mais experiências, receber mais emoções. Isso que me faz verdadeiramente feliz, me faz sentir viva!

Qual dica você da para quem vai viajar para a Rússia?

Alla – Eu recomendo deixar todos esses estereótipos em casa junto com medo de não falar essa língua complicadíssima, se arriscar e comprar uma passagem. Essa viagem vai ser uma experiência única que vai permanecer na sua mente para sempre.

Yaroslavl Foto: Arquivo Alla

Yaroslavl Foto: Arquivo Alla

Alla, muito obrigada pela entrevista, amamos! ❤ Parabéns pela sua coragem e por aprender português tão rápido haha

Uma frase da Alla que me chamou muito atenção foi de que a experiência de viajante permanecerá para sempre na mente. Incrível né?! Afinal o que é a vida sem os momentos que nos faz sorrir?

Beijos,

Fer Toyomoto.

Conexão Brasil – Itália

Conexão Brasil é uma tag dedicada a compartilhar experiências, acredito que os outros nos ensinam muito sobre nós mesmos e sobre a nossa cultura. Para estrear a tag convidei uma das minhas melhores amigas e companheira de viagem Elizabeth Torres, 26 anos, para nos contar um pouco de como foi morar, durante três anos, na Itália. A Itália vai muito além das pizzas individuais e das massa finíssimas. Você sabia que em italiano pepperoni não é salame e sim pimentão? E que Ciao significa oi e tchau? O que muda é a entonação.

Veneza - Arquivo pessoal Elizabeth

Veneza – Arquivo pessoal Elizabeth

Por que você foi morar na Itália?

Elizabeth – Eu fui morar na Itália em 2007 porque meu marido, na época noivo, fechou contrato para correr pela equipe Minardi na Fórmula 3000 européia. Só para entender, ele é piloto de corrida.

Foi a minha primeira viagem à Europa e primeiro contato com a cultura. Morei lá do início de março até final de novembro. Fui para uma cidade ao norte do país, 60 km de Veneza, Padova.

Veneza - Arquivo pessoal Elizabeth

Veneza – Arquivo pessoal Elizabeth

Como foi o processo para tirar o visto?

Elizabeth – Bom, como o Brasil possui acordo com a União Européia, brasileiros tem o direito de permanecer no país 3 meses sem a necessidade de ter um visto emitido previamente. Mas no caso de estudantes ou interessados em trabalhar, há a necessidade de solicitação de visto no consulado Italiano, que fica localizado na Av. Paulista.

Quando pensamos na Europa o primeiro questionamento são os custos. É caro morar na Itália?

Elizabeth – Com certeza minha impressão é uma opinião particular de quem foi morar no país. Embora eu tenha turistado bastante, quem passa pelo país apenas de visita pode ter uma visão diferente da minha.

Morei um mês num hotel até alugar um apartamento. E minha aventura começou aí. Padova é uma cidade muito antiga,  para se ter ideia Galileu Galilei deu aula em uma universidade localizada no centro, então imagina as residências ao redor, são tão antigas quanto. Fiz tanta cara feia quando visitava os apartamentos disponíveis para locação que terminei com dia com dores nos músculos da face. Parece cômico, mas eu fiquei bem preocupada, como moro em São Paulo, uma cidade com construções novas e modernas, foi um choque. Outro choque foram os preços, na época (2007) o euro estava em torno dos R$ 3,40 e os aluguéis entre 800,00 a 1200,00 Euros. Ou seja, um preço muito alto para o padrão oferecido. Os lugares eram bem pequenos e, como já disse, muito mais muito antigos mesmo.

É interessante destacar que na Europa a arquitetura é preservada, ou seja, mesmo que a construção seja nova, esta deve seguir os mesmos projetos de desenhos tradicionais.

Os bairros ao redor do centro possuíam apartamentos maiores e até mais novos, porém eram mais caros ainda. Com isso acabamos alugando uma casa num distrito chamado Mestrino, 10Km do centro histórico.

Veneza - Arquivo pessoal Elizabeth

Veneza – Arquivo pessoal Elizabeth

Como foi o processo de adaptação?

Elizabeth – A adaptação não foi fácil, primeiramente por causa da língua, eu não falava italiano fluentemente e os italianos não faziam questão de tentar entender, e também não falavam inglês fluente. Outro ponto difícil foi a cultura, eles são tradicionais, voltados para família.

Eles desconfiam um pouco de estrangeiros, um dos motivos alegados por eles é que muitos romenos (Romênia) se mudam para lá e cometem muitos delitos, furtos, bagunça etc.

O segredo é ser humilde, mesmo quando alguém fala ou faz algo desagradável é muito importante não desistir, ter paciência e ser insistente. Foi assim que conquistamos a confiança e amizade de muitos. E uma vez que eles te acolhem, cria-se uma amizade muito legal. Mas vou deixar claro que não é uma missão fácil.

Sardenha - Arquivo pessoal Elizabeth

Sardenha – Arquivo pessoal Elizabeth

Qual foi o seu maior choque cultural?

Elizabeth – Os italianos se vestem muito bem, não é a toa que Milão é considerada a capital da moda. Até para ir ao mercado se produzem por inteiro. Os homens são tão ligados a aparência quanto as mulheres. Eles se depilam, fazem as sobrancelhas, bronzeamento, usam roupas justas, e alguns, por incrível que pareça, se maquiam. Isso mesmo, passam maquiagem. Cheguei a me assustar um pouco, comecei a achar que todos fossem homossexuais, mas depois me acostumei com o estilo. Só não me acostumei com a falta de respeito. Eles olham e mexem com as mulheres estejam elas acompanhadas ou não. Secam na cara de pau. Mas, uma vez que você está na casa deles, quero dizer, habitando no país deles, tem que tentar impor respeito aos poucos e relevar bastante coisa.

Sardenha - Arquivo pessoal Elizabeth

Sardenha – Arquivo pessoal Elizabeth

Qual a maior diferença entre Itália e o Brasil?

Elizabeth – Antes de destacar as coisas boas, tem mais algumas coisas que é bom saber. Os italianos tem um jeito bruto de ser, falam alto, gesticulam muito, parece que estão brigando o tempo todo, e não são muito pacientes, principalmente com turistas. Várias vezes que precisei pedir informação, não fui muito bem recebida. Quando meu italiano não era fluente fui muito zoada, caçoavam do meu sotaque e, pior, até do meu português. Quando escutavam eu conversando na minha língua, me imitavam, diziam que a língua portuguesa é feia.

Outra coisa muito desagradável que me aconteceu foi com relação a comida. No brasil, é comum em refeições não formais que se coloque no prato tudo aquilo que quer comer, por exemplo salada e grelhado, macarrão com alguma mistura etc. Bom, nunca faça isso com os italianos. Vou repetir, nunca façam isso na Itália. Eles levam muito a sério a comida, e deve-se respeitar o “primo”, o “secondo” que seria a entrada, o primeiro prato o segundo ou prato principal. Não significa que não se pode comer uma macarronada e uma carne, apenas tem que comer um de cada vez, saborear o que cada prato tem a oferecer. Parece um exagero, mas é muito importante respeitar a outra cultura e tentar entender que não é a toa que são conhecidos pela cozinha saborosa.

Veneza - Arquivo pessoal Elizabeth

Veneza – Arquivo pessoal Elizabeth

Você passou por alguma situação embaraçosa?

Elizabeth – Meus sogros foram passear pela Itália e o voo de volta saia de Milão bem tarde, eles optaram por ir até um hotel próximo para descansar até a hora do voo. Foram até um taxista e pediram que o levassem até um hotel, o homem perguntou se eles tinham reserva, eles responderam que não e o cara ficou irritado. Ninguém entendeu o motivo. Para piorar, ele gritou para todos os outros motoristas que não prestassem serviço a eles. Meu sogro, inconformado, começou a discutir o com senhor. Ele não entendia o motivo de toda a ignorância do taxista, afinal ele pagaria pela corrida. Acontece que, ao invés de o senhor dizer que era necessário fazer uma reserva no balcão de atendimento dentro do aeroporto, que sem isso ele não poderia fazer a corrida, ele preferiu fazer um escândalo. Poderia ter simplificado as coisas e ajudado um turista que poderia não voltar mais ao país pela atitude dele.

Um segundo caso foi quando meus pais passeando por Roma, foram almoçar em um restaurante, meu pai pediu um prato de massa e um de carne, ele queria provar os dois. O dono do restaurante simplesmente disse não ao pedido dele e pediu que ele se retirasse. Meu pai sem entender e sem falar a língua ficou assustado com a atitude do dono. E para não causar problemas pediu que o senhor trouxesse qualquer prato que estava tudo certo. Todo esse constrangimento poderia ter sido evitado se o garçom, ou até o próprio dono, explicassem o esquema dos pratos.

Veneza - Arquivo pessoal Elizabeth

Veneza – Arquivo pessoal Elizabeth

O que você mais gosta na Itália?

Elizabeth – A Itália é um lugar lindíssimo de se conhecer, encantadora. Com pouco dinheiro é possível comer bem. Existem muitos restaurantes de famílias com comida muito boa e barata. Me lembro que eu almoçava quase todos os dias em um lugar muito bom, pagava dez euros e tinha direito até a sobremesa e café.

Ah! o café italiano é maravilhoso. O grão é brasileiro, mas é torrado e moído por eles com muito cuidado para zelar pelo sabor. Não teve um lugar se quer que eu comi mal. Tudo era bom.

Eu tive a oportunidade de viajar bastante pelo país e conhecer muitas cidades. As estradas são excelentes, a paisagem é divina. Por isso eu digo que vale muito, mais muito a pena mesmo conhecer esse país. Quem gosta de história, e até quem não gosta, se realiza ao reconhecer em cada monumento tantos acontecimentos. Eu até digo para aqueles que desejam conhecer a Europa, para irem aos poucos e conhecer mais lugares de um país, do que visitar várias capitais, com isso é possível aprender mais da cultura, explorar bem o local.

Pisa - Arquivo pessoal Elizabeth

Pisa – Arquivo pessoal Elizabeth

Você moraria na Itália novamente? Tem alguma dica para os viajantes que vão morar ou visitar o país pela primeira vez?

Elizabeth – Eu, particularmente, não escolheria a Itália para morar, mas voltaria a visita-la com certeza, como o fiz em 2008 e 2009. Visite, explore, coma muito, vale a pena. Não vou indicar cidades em específico porque acho tudo lindo, romântico, encantador, e paradisíaco, as ilhas do sul do país são impressionantes. Falando em Sul, existe um preconceito muito grande entre os habitantes do norte com os do sul. Eles dizem que o povo do sul não gosta de trabalhar, que são mafiosos, bandidos etc. O preconceito é serio mesmo. Porém, dizem que o povo do sul é mais receptivo, acolhedor e simpáticos. Como morei no Norte, não consegui sentir essa diferença, mas por ser algo dito pelos próprios italianos, eu acredito.

É bom ressaltar que morei pela Europa até o final de 2009 e não voltei mais para lá depois disso. Alguns conhecidos que foram recentemente dizem que toda a arrogância de alguns dos europeus melhorou com a crise, afinal o turismo trás dinheiro para a terra deles.

Qual o seu maior sonho de viajante?

Elizabeth – Eu, graças à Deus, tive a oportunidade de conhecer muitos países e muitas cidades, mas o mundo é muito grande e tem muitos outros lugares que sonho em conhecer. Meu sonho é investir sempre em viagens. Prefiro até economizar no dia a dia para poder passar mais tempo nos lugares que vou.

Beth, muito obrigada pela entrevista, amamos! ❤

Tem alguma experiência que você quer compartilhar? Manda pra gente!

Beijos

Fer Toyomoto.